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Amazônia: Floresta em pé gera mais lucro do que a exploração

Investimentos em regeneração florestal superam modelos extrativistas na região.

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Floresta em pé vale mais no fluxo de caixa do que no chão

A Amazônia está passando por uma transformação significativa em sua abordagem econômica. De acordo com Denis Benchimol Minev, Diretor-Presidente da Bemol e enviado especial da Amazônia para a COP30, a regeneração de terras representa a maior chance de negócios na região. Essa afirmação foi feita durante uma imersão de estudantes da Fundação Dom Cabral em Manaus, onde Minev destacou a importância de mudar a mentalidade sobre o uso da floresta.

Transformação da mentalidade econômica

Historicamente, a Amazônia foi explorada com um modelo extrativista, como evidenciado pelo ciclo da borracha, ou por práticas de desmatamento para tornar as terras cultiváveis. No entanto, dados do MapBiomas revelam que 77% das áreas desmatadas se transformaram em pastagens, das quais 60 milhões de hectares apresentam baixa produtividade devido à degradação do solo. Essa condição apresenta uma oportunidade: terras mais baratas possibilitam a implementação de práticas de regeneração.

Investimento e retorno financeiro

O investimento em sistemas agroflorestais, que combinam culturas como cacau, açaí e banana, pode requerer cerca de R$ 50 mil por hectare. Com um período de 3 a 5 anos, é possível obter receitas que superam R$ 60 mil por hectare anualmente, além de gerar meio emprego por hectare cultivado. Essa abordagem não é apenas filantrópica; ela oferece um retorno financeiro competitivo, ao mesmo tempo em que recupera solos degradados e sequestra carbono.

Movimento do capital em direção à regeneração

O dinheiro já está fluindo para essa nova abordagem. A Mombak, focada em créditos de carbono por meio de reflorestamento, arrecadou mais de R$ 1 bilhão com grandes empresas como Microsoft e Google. Além disso, a Coalização Brasil para o Financiamento da Restauração e Bioeconomia já mobilizou mais de R$ 25 bilhões para investimentos na área. O 4º leilão do Eco Invest arrecadou R$ 4,5 bilhões, demonstrando que a regeneração florestal está se solidificando como uma oportunidade de investimento.

A mudança de mentalidade necessária

O verdadeiro desafio está em entender como mudar a lógica extrativista para uma abordagem regenerativa. Durante a imersão, um relato impactante de Cauã Moura ilustra essa transição. Ele compartilhou a história de Roberto Brito, proprietário da Pousada do Garrido, que antes cortava árvores para vender madeira, gerando cerca de R$ 800 mensais. Com a adoção do turismo de base comunitária, Brito projeta um faturamento de quase R$ 1 milhão neste ano. Sua experiência destaca que a preservação da floresta torna-se atraente quando se traduz em lucro.

A Amazônia está em uma encruzilhada. A mudança para um modelo de negócios que valoriza a floresta em pé em vez da derrubada não é apenas uma questão ambiental, mas uma estratégia econômica que está atraindo bilhões em investimentos. Quando a preservação se torna lucrativa, a floresta passa a ser vista não como um custo, mas como uma oportunidade.

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