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Investidores de venture capital apostam em talentos no ecossistema de startups

Inteligência artificial transforma o cenário de investimentos, priorizando as pessoas por trás das startups em vez da tecnologia.

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Em tempos de IA, fundos de venture capital voltam o olhar para as pessoas no ecossistema de startups

Nos dias atuais, o custo para criar uma startup pode ser quase nulo, segundo Florian Hagenbuch, cofundador da Canary. Durante o painel do VC Day, organizado pela ABVCAP, ele destacou que a inteligência artificial está revolucionando o setor de venture capital, tornando o desenvolvimento de software mais acessível e rápido.

O retorno ao foco nas pessoas

A transformação impulsionada pela IA está levando investidores a priorizar um dos pilares fundamentais do venture capital: a confiança nas pessoas que estão por trás das startups. Hagenbuch enfatizou que a Canary sempre se concentrou nas habilidades e resiliência dos fundadores, considerando-os a “unidade atômica” dos investimentos em tempos de incerteza tecnológica.

Redução das barreiras de entrada

As barreiras financeiras e a necessidade de mão de obra técnica têm diminuído, permitindo que mais empreendedores entrem no mercado. Hagenbuch comparou o momento atual à transição da computação local para a nuvem, onde o custo para iniciar um negócio caiu drasticamente. Com o advento de ferramentas de IA generativa, esse cenário se torna ainda mais favorável.

Em fevereiro, a Canary lançou o fundo Canary IV, com US$ 150 milhões destinados a startups brasileiras, abrangendo rodadas desde o seed até o Série A. Hagenbuch acredita que a necessidade de talentos técnicos diminuiu, o que deve resultar em um aumento no número de ideias e empresas que conseguem se materializar.

A importância das equipes técnicas

Gustavo Ahrends, da Norte Ventures, compartilha a visão de que a avaliação de investimentos agora dá ainda mais ênfase às equipes técnicas. Ele observa que, no Brasil, centros de excelência em computação têm contribuído para a formação de empreendedores mais capacitados. Ahrends também ressaltou que a competição por startups promissoras está se intensificando, com acordos sendo fechados rapidamente quando uma equipe se destaca.

Interesse crescente de investidores internacionais

Essa valorização dos talentos não se limita aos investidores locais. Há uma crescente atenção de fundos estrangeiros, que tradicionalmente tinham pouca presença no Brasil. A expectativa é que a nova geração de empreendedores consiga escalar suas empresas a nível internacional.

Desafios da rápida evolução tecnológica

Apesar de facilitar o surgimento de novas startups, a inteligência artificial também traz desafios. Philipe Trauer, da Vivo Ventures, alerta que a velocidade com que as teses de investimento se tornam obsoletas aumentou significativamente. O que era atraente há um ano pode já não ser relevante hoje, à medida que grandes empresas incorporam rapidamente inovações.

Trauer aponta que setores como geração de código e assistentes pessoais estão se tornando vulneráveis à competição de grandes plataformas, tornando as soluções verticalizadas mais atrativas para investidores.

A seletividade no investimento

Philippe Schlumpf, do Itaú Ventures, destaca que a evolução tecnológica pode rapidamente transformar uma proposta inovadora em um recurso básico de uma gigante da IA. Assim, a análise criteriosa de quais fundadores têm a capacidade de se adaptar torna-se essencial para o sucesso dos investimentos.

Hagenbuch conclui que, embora algumas barreiras competitivas permaneçam, a fragilidade de vantagens que antes pareciam sólidas foi exposta pela IA, voltando a atenção ao fator humano. Ele argumenta que a habilidade das grandes empresas de se adaptarem à mudança também depende das pessoas em posições de liderança, reiterando que a essência da inovação e do valor econômico reside nas pessoas.

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