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Controle de voo de helicópteros: entenda como funciona e os riscos

Após acidente em Santa Catarina, saiba como helicópteros são monitorados e por que alguns desaparecem dos radares.

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Como é feito o controle de voo dos helicópteros — e por que alguns 'somem do radar' mesmo sem acidentes

Na última terça-feira, o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina confirmou a morte do cantor Rick, da famosa dupla sertaneja Rick & Renner, em um trágico acidente de helicóptero. A aeronave, que partiu de Porto Belo com destino a São Joaquim, caiu com cinco ocupantes a bordo.

Os helicópteros, ao contrário do que muitos pensam, não estão sempre sob monitoramento constante por radares. Essa realidade ajuda a entender por que algumas aeronaves podem “sumir do radar” sem que um acidente tenha ocorrido. O engenheiro aeronáutico João Paulo Eguea, professor da USP, explica que os helicópteros operam de maneira diferente das aeronaves convencionais, frequentemente voando a baixas altitudes e realizando pousos e decolagens em locais diversos, incluindo áreas não preparadas.

Voo por instrumentos e visual

A operação de helicópteros pode ser dividida em dois tipos principais: voos por instrumentos e voos visuais. No primeiro caso, a navegação é assistida por dispositivos que permitem operações em condições de baixa visibilidade. Raul Marinho, piloto e diretor-técnico da Associação Brasileira de Aviação Geral, destaca que durante esses voos, as aeronaves são monitoradas em tempo real pelos órgãos de controle de tráfego aéreo, seguindo rigorosamente um plano de voo.

Por outro lado, nos voos visuais, os pilotos têm mais liberdade, podendo voar em um espaço definido como classe delta, sem seguir uma rota específica. Marinho ressalta que, em 95% dos voos executivos, não há monitoramento constante, exceto quando a aeronave entra em zonas controladas.

Obstáculos à detecção

Outro fator a ser considerado é que os radares enfrentam dificuldades para detectar aeronaves em altitudes mais baixas, especialmente devido a obstáculos como prédios e montanhas. Isso pode resultar na “evasão” de helicópteros dos sistemas de monitoramento, tornando-os atrativos para atividades ilícitas. Marinho explica que a perda de sinal pode ocorrer quando um helicóptero voa a uma altura em que o radar não consegue captá-lo, ou se a aeronave sofre uma queda.

Emergências e sistemas de localização

Em situações de emergência, os helicópteros estão equipados com um transmissor localizador de emergência (ELT), que deve ser ativado pelo piloto. No entanto, se não for acionado, pode indicar que a aeronave não sofreu um acidente ou que o dispositivo falhou. Eguea alerta que a expressão “sumir do radar” pode ser imprecisa, já que uma aeronave pode pousar em segurança em uma área sem infraestrutura e deixar de ser detectada.

Dados do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Sipaer) mostram que o Brasil registrou 182 acidentes com helicópteros desde 2016, com uma média de 17 ocorrências anuais. Quase 30% desses acidentes resultam em mortes, sendo as principais causas perda de controle em voo e falhas mecânicas.

Segurança no setor

Embora a maior parte dos acidentes envolva aeronaves privadas, as empresas de táxi aéreo são obrigadas a monitorar seus voos. Eguea observa que o Brasil tem uma das maiores frotas de helicópteros do mundo, e a avaliação de segurança deve considerar a relação entre acidentes e horas de voo. O recente Relatório Anual de Segurança Operacional da ANAC indica que a taxa de acidentes na aviação de táxi aéreo com helicópteros é bastante baixa.

Com a aviação em expansão no Brasil, os requisitos de operação e fiscalização se tornam ainda mais rigorosos. Assim, cada incidente serve como aprendizado para aprimorar normas e procedimentos de segurança, visando minimizar a probabilidade de eventos semelhantes no futuro.

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