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Descoberta de rota alternativa em células pode ajudar no combate ao câncer

Cientistas revelam um mecanismo inédito que pode tornar tumores mais suscetíveis a tratamentos.

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Cientistas descobrem rota 'impossível' nas células que pode tornar células cancerosas mais vulneráveis

Um grupo de pesquisadores fez uma descoberta surpreendente sobre a produção do aminoácido cisteína em células de mamíferos, desafiando uma noção fundamental na biologia celular. Os cientistas demonstraram que essas células conseguem gerar cisteína mesmo na ausência de enzimas que eram consideradas imprescindíveis para esse processo, o que pode abrir novas possibilidades para o tratamento de tumores.

A cisteína e sua importância celular

A cisteína é vital para a função celular, pois compõe proteínas, protege-as de danos e participa da formação de pontes dissulfeto, que mantêm a estrutura das proteínas. Além disso, é a matéria-prima que forma a glutationa, o principal antioxidante encontrado dentro das células. No entanto, a cisteína é escassa no ambiente extracelular, fazendo com que as células dependam da cistina, uma forma oxidada do aminoácido, que requer a quebra de uma ligação entre átomos de enxofre para ser utilizada.

Descobrindo a rota alternativa

O estudo, liderado pelo geneticista Ed Schmidt da Universidade Estadual de Montana, revela que, mesmo na ausência de duas enzimas essenciais — tiorredoxina redutase e glutationa redutase — as células ainda conseguem produzir cisteína. Esta descoberta é significativa, uma vez que até o momento se acreditava que a presença de pelo menos uma dessas enzimas era necessária para a sobrevivência celular. Em experimentos anteriores, camundongos geneticamente modificados com a ausência dessas enzimas sobreviveram, levando Schmidt a investigar mais a fundo.

Após sete anos de pesquisa, a equipe identificou que as células utilizam uma via alternativa para sintetizar a cisteína. Em vez de quebrar a ligação entre os átomos de enxofre, as células quebram uma ligação entre carbono e enxofre, utilizando uma enzima dependente do fosfato de piridoxal, que é a forma ativa da vitamina B6. Esse processo gera um intermediário, o persulfeto de cisteína, que se decompõe espontaneamente, liberando cisteína.

Implicações para o tratamento do câncer

Os pesquisadores sugerem que essa rota de reserva, que pode ser ativada conforme necessário, é uma herança de ancestrais multicelulares, oferecendo uma defesa contra toxinas. Essa mesma proteção, que mantém células saudáveis, pode ser uma vantagem para células tumorais, permitindo que elas sobrevivam a tratamentos como quimioterapia e radioterapia.

A cisteína já é um alvo na oncologia, uma vez que muitos tumores produzem excessivamente uma proteína chamada SLC7A11, que facilita a entrada da cistina nas células. Bloquear essa proteína pode induzir a ferroptose, um tipo de morte celular. Medicamentos existentes, como a sulfassalazina e o sorafenibe, são capazes de inibir essa entrada.

Perspectivas futuras

Schmidt enfatiza que entender essa rota alternativa pode abrir novas portas para desativar esse mecanismo em células tumorais, aumentando sua vulnerabilidade às terapias já disponíveis. Contudo, vale ressaltar que o estudo foi realizado em fígados de camundongos, e a aplicação dessa descoberta a células cancerosas ainda precisa ser validada.

A pesquisa, publicada na revista Nature Chemical Biology, representa um avanço significativo na compreensão da biologia celular e suas implicações no tratamento do câncer, oferecendo esperança para novas abordagens terapêuticas.

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