Uma operação criminosa elaborada transformou ofertas de emprego fraudulentas em uma sofisticada rede de lavagem de dinheiro, impactando mais de 15 mil cidadãos americanos. Esses indivíduos foram recrutados para receber valores oriundos de fraudes em suas contas bancárias e, em seguida, transferir esses montantes para o exterior.
Funcionamento do esquema de recrutamento
Intitulada Your Mule Cashout (YMCO), a organização foi responsável pela lavagem de pelo menos US$ 10 milhões, provenientes de mais de 750 contas bancárias nos Estados Unidos. Oleg Korniev, de 42 anos, um cidadão ucraniano e russo, admitiu sua culpa em liderar essa operação na última quinta-feira (8), conforme anunciado pelo Departamento de Justiça dos EUA. As vítimas eram atraídas por falsas promessas de trabalho em empresas legítimas, realizando atividades que supostamente envolviam o processamento de pagamentos.
Como as vítimas eram manipuladas
Os recrutados acreditavam que estavam participando de um trabalho honesto, que consistia em receber depósitos em suas contas pessoais, sacar os valores e enviar o dinheiro para supostos parceiros no exterior. No entanto, os depósitos eram, na verdade, provenientes de contas bancárias de empresas que haviam sido invadidas por criminosos. Após serem movimentados pelas contas das vítimas, os valores eram enviados para membros da YMCO em diversos países.
Infraestrutura de lavagem de dinheiro
A YMCO operava como uma empresa legítima, oferecendo aos hackers a estrutura necessária para disfarçar a origem dos fundos e transferi-los para fora dos EUA, predominantemente para a Europa Oriental. Em troca, a organização ficava com uma parte dos valores obtidos ilegalmente. Documentos judiciais revelam que as abordagens aos candidatos eram feitas por meio de mensagens enganosas em nome de empresas fictícias, e os recrutados passavam por processos seletivos que simulavam a realidade.
Consequências legais para o líder do esquema
Korniev enfrentou cinco acusações, incluindo lavagem de dinheiro e fraude informática, com uma pena que pode variar de dois a 50 anos de prisão, a ser determinada por um juiz federal. Em seu acordo judicial, ele reconheceu que a YMCO causou danos superiores a US$ 14,7 milhões a vítimas identificadas. Além disso, admitiu a intenção de lavar mais de US$ 9,7 milhões oriundos de atividades criminosas e que movimentou pelo menos US$ 7 milhões.
No desfecho do caso, Korniev concordou em ressarcir integralmente as vítimas e a abrir mão dos valores confiscados durante sua prisão na Geórgia. Outros quatro membros da YMCO já haviam sido capturados em diferentes países, extraditados e condenados por seus papéis na conspiração, recebendo penas que variam entre 37 e 63 meses de prisão, além de terem que devolver mais de US$ 9,1 milhões às vítimas.







