A Siemens Healthineers transformou uma ideia simples em uma inovação global, permitindo que técnicos operem máquinas de ressonância magnética não apenas a três metros, mas a milhares de quilômetros de distância. Essa evolução surgiu a partir de uma necessidade identificada por um cliente brasileiro, que possuía várias unidades de diagnóstico.
Desafios e soluções no setor de saúde
O setor de saúde enfrenta um desafio significativo: a inconsistência na qualidade dos exames em diferentes localidades. Apesar de equipamentos semelhantes, a experiência dos técnicos varia consideravelmente. Enquanto alguns podem ser especialistas em determinados tipos de exames, outros podem não ter a mesma familiaridade, resultando em protocolos operacionais distintos. Essa falta de padronização prejudica a eficiência e a qualidade do atendimento em redes de diagnóstico espalhadas pelo Brasil.
O surgimento do Virtual Cockpit
Em resposta a essa problemática, entre 2014 e 2015, a Siemens Healthineers Brasil iniciou o desenvolvimento do Virtual Cockpit, uma tecnologia que permite a operação remota de equipamentos de diagnóstico. Com a colaboração de instituições como a Universidade Federal de Santa Catarina e a Fundação CERTI, a proposta visa conectar especialistas a máquinas localizadas em regiões distantes, garantindo que o conhecimento técnico seja compartilhado de maneira eficaz.
Um novo modelo de trabalho
A inovação trazida pelo Virtual Cockpit não elimina a necessidade de profissionais presenciais, mas otimiza sua atuação. Um técnico pode permanecer ao lado do paciente enquanto outro, a distância, controla e programa o exame. Essa abordagem foi validada e incorporada ao portfólio global da Siemens Healthineers em 2018, mostrando seu potencial em ambientes variados, como no Canadá, onde especialistas enfrentavam desafios semelhantes.
Aumento no acesso e eficiência
Os benefícios da tecnologia são evidentes em três áreas principais: aumento do acesso a exames, padronização de procedimentos e melhor utilização de especialistas. Ao permitir que unidades de diagnóstico adotem protocolos uniformes, a operação remota assegura que exames realizados em locais distantes sigam os mesmos padrões de qualidade.
Durante a pandemia de covid-19, a relevância dessa tecnologia se intensificou. Com a escassez de profissionais, a operação remota se tornou uma solução crucial para manter os serviços de diagnóstico ativos, permitindo que especialistas atuassem em várias unidades sem comprometer a qualidade do atendimento.
Novas oportunidades de negócios
A Siemens Healthineers também aproveitou essa inovação para desenvolver novos modelos de negócios, como o WeScan, que oferece suporte remoto para operações de equipamentos. Esse serviço permite que prestadores de diagnóstico utilizem a expertise da empresa conforme a demanda, tornando-se uma alternativa viável para otimizar recursos.
O impacto da inovação brasileira
A história do Virtual Cockpit ressalta a importância da operação brasileira no contexto global da Siemens Healthineers. Em 2025, a companhia destinou R$ 15 milhões para pesquisa e desenvolvimento no país, totalizando mais de R$ 120 milhões desde 2013. Com uma equipe de 12 profissionais liderando mais de 70 pesquisadores em colaboração com universidades renomadas, o Brasil se destaca como um polo de inovação.
Atualmente, a operação brasileira representa 45% dos negócios da Siemens Healthineers na América Latina, com uma fábrica em Joinville e um centro de treinamento em Jundiaí, que capacita profissionais de radiologia e radioterapia, reforçando o compromisso da empresa com a excelência em saúde. Essa trajetória demonstra como uma ideia nascida no Brasil pode ter um impacto global significativo, ampliando o acesso e a qualidade dos diagnósticos médicos.







