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Ecoansiedade: Como a preocupação ambiental afeta a saúde mental

Entenda como o estresse relacionado às mudanças climáticas impacta a vida cotidiana de muitas pessoas.

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Ecoansiedade: Quando a preocupação com o planeta e as mudanças climáticas viram estresse crônico

A consciência crescente sobre as questões ambientais e as mudanças climáticas têm gerado um impacto profundo na saúde mental de muitas pessoas. A ecoansiedade, um termo que descreve a angústia e o estresse associados a essas preocupações, pode interferir de forma significativa no cotidiano, transformando um medo pontual em uma fonte constante de ansiedade.

O que é ecoansiedade?

Embora a ecoansiedade não seja um diagnóstico clínico reconhecido pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), seus efeitos podem ser devastadores. Aqueles que sofrem com essa condição frequentemente experimentam sintomas como tristeza, irritabilidade, insônia e crises de ansiedade. A Associação Americana de Psicologia (APA) já definiu a ecoansiedade como o “medo crônico de catástrofes ambientais”, destacando a gravidade do fenômeno.

Experiências pessoais com ecoansiedade

Jéssica Alcântara, uma designer de 30 anos, vivenciou sua primeira crise de ecoansiedade após sofrer uma microexplosão em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, em 2022. O evento a deixou presa em casa, enquanto objetos eram levados pelo vento. Desde então, passou a observar com apreensão as previsões do tempo, e sua vida cotidiana começou a ser moldada por essas preocupações.

A pressão das mudanças climáticas a levou a repensar suas escolhas de vida, como onde morar para evitar enchentes. “As mudanças climáticas deixaram de ser uma discussão distante e agora impactam minhas decisões de forma concreta”, afirma Jéssica.

Dados alarmantes sobre a percepção climática

Uma pesquisa realizada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em 2024 revelou que 56% dos entrevistados pensam em questões climáticas pelo menos uma vez por semana. No Brasil, um estudo do Instituto Cactus e AtlasIntel, de 2025, mostrou que 74,3% das mais de 10 mil pessoas entrevistadas já enfrentaram eventos climáticos extremos, e quase 42% acreditam que as mudanças climáticas impactaram sua saúde mental.

O papel do trauma na ecoansiedade

William Berger, professor do Instituto de Psiquiatria da UFRJ, destaca que pessoas que já enfrentaram desastres naturais estão mais suscetíveis à ecoansiedade. No entanto, indivíduos que nunca vivenciaram esses eventos também podem desenvolver essa condição por antecipação do medo. O caso de Diogo Feliciano, um cientista político de São Paulo, exemplifica essa realidade. Embora nunca tenha vivenciado um desastre climático, ele sente uma constante preocupação com o futuro e as condições de vida em decorrência das mudanças ambientais.

Como lidar com a ecoansiedade

Laura Cristina de Toledo Quadros, vice-diretora do Instituto de Psicologia da UERJ, sugere que transformar a preocupação em ação pode ser uma estratégia eficaz. Isso pode incluir desde a prática da coleta seletiva até a mobilização por políticas públicas. Berger também recomenda terapias, como a cognitivo-comportamental, para ajudar indivíduos a lidarem com essa ansiedade.

Jéssica encontrou apoio em um grupo de pessoas que compartilham experiências semelhantes, o que a ajudou a compreender melhor seus sentimentos e a criar planos para lidar com sua ansiedade. Diogo, por sua vez, implementou uma “higiene do sono” para evitar que pensamentos pesados afetassem seu descanso.

Reflexão final

Apesar dos desafios impostos pela ecoansiedade, muitos ainda encontram esperança e motivação para agir em prol do meio ambiente. Compreender e enfrentar essa condição é essencial não apenas para o bem-estar individual, mas também para a construção de um futuro mais sustentável e consciente.

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